Saber silenciar e ouvir: a arte da “escutatória”

Luiz Fernando MiguelLuiz Fernando Miguel

Vivemos na “era da tecnologia”, das inovações, das mudanças constantes no campo da ciência. Somos interpelados por milhões de informações por todos os lados; podemos dizer – com todas as letras – que somos bombardeados pela dita “pós-modernidade”. A tecnologia e as inovações estão relacionadas principalmente com o audiovisual, com a imagem, o vídeo… Em outras palavras, com coisas que são opostas ao verbo “silenciar”…

Foto: Arquivo Pessoal

Fazer silêncio vai muito além do simples “não pronunciar palavras”; silenciar por silenciar é em vão. Devemos ser capazes de ouvir o que o outro que está a nossa volta tem a nos dizer. Aí que está o grande risco, pois acabamos por nos acostumar a relações superficiais (não quero citar o exemplo das Redes sociais, principalmente por que sou um usuário dessas rs); não há mais contato com a PESSOA; se você quer conversar com alguém entre no chat do face, ou no messenger, ou envie um SMS. Nisto consiste esse grande risco a que nos referimos: trocar as relações humanas por relações meramente “tecnológicas”. Não vamos entrar no mérito da questão, pois a internet – especialmente as redes sociais – tem aproximado muitas pessoas. Porém, outro grande risco é “aproximar quem está longe e distanciar quem está perto”.

Em meio a tudo isso: qual seria, de fato, a importância do silêncio? Somos seres de comunicação, de diálogo… Hummm.. Diálogo… Dialogar envolve duas ações: falar e escutar. Falar exige bom-senso, educação e, acima de tudo, respeito. Escutar exige tudo isso e mais um pouco. Escutar falando é praticamente inadmissível, pois só ouve bem aquele que silencia.

No silêncio, além de escutar o outro vamos nos abrir a um processo de encontro conosco mesmo e nos deparar com o mais íntimo de nosso ser. Somente com a abertura a esse processo de busca do “si mesmo” poderemos entrar em um estado constante de crescimento. Tudo isso possibilitado pelo ato de “silenciar”.

Que saibamos ouvir mais. Parar mais e refletir mais sobre o que está à nossa volta. Como diz Rubem Alves, que saibamos praticar mais a “arte da escutatória”.

Paz e bem a todos!

Luiz F. Miguel – Maio/2012 (Publicado originalmente no jornal Dinoite, Aparecida/SP)

‹ Voltar para artigos